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Por que o Itaú quer um banco completo nos EUA

O Itaú obteve em agosto uma aprovação condicional do regulador americano para ter um banco nacional nos EUA – o primeiro passo para montar uma operação que busca atender uma demanda crescente da América Latina por serviços bancários naquele país. (Por Giuliana Napolitano)

“Mais clientes, não só os do private, estão se tornando globais, com residência no exterior, filhos estudando fora. Precisam de produtos e serviços além de investimentos,” Percy Moreira, o CEO do Itaú USA, disse ao Brazil Journal.

O banco tem um escritório em Miami desde 2007, que usa para atender não-residentes em sua operação de private – suprindo com isso uma demanda basicamente por diversificação de investimentos no exterior.

Quando a licença de banco completo sair, o Itaú USA vai lançar conta corrente, emitir cartões de crédito e débito, abrir linhas de crédito – especialmente financiamento imobiliário – e, num segundo momento, oferecer seguros.

O mercado potencial na mira do Itaú são principalmente os latino-americanos que são clientes de private banks e têm US$ 1 trilhão investidos offshore, mais da metade disso nos EUA, bem como os atuais clientes do Itaú Miami que precisam dos serviços de um banco completo.

“Não vamos para o mar aberto por enquanto, mas vamos ver como a operação evolui,” disse Moreira. Abrir agências também não está nos planos.

O private do Itaú tem R$ 1,2 trilhão sob gestão, dos quais R$ 864 bilhões no Brasil e R$ 336 bilhões offshore (cerca de US$ 65 bilhões) – 75% dos recursos no exterior estão nos EUA e o restante na Europa.

A concorrência também já está cavando seu nicho, especialmente na Flórida.

O Bradesco comprou o BAC Florida Bank em 2019 para atender brasileiros de alta renda e é forte em crédito imobiliário. E o BTG Pactual concluiu em janeiro a compra do M.Y. Safra Bank e, com isso, passou a operar com licença plena nos EUA.

Além desses, o Inter obteve em junho uma autorização para abrir filiais na Flórida. E o Nubank conseguiu uma licença condicional para ter um banco nacional nos EUA, mas seu público-alvo são os 100 a 150 milhões de desbancarizados dos EUA.

Executivos de bancos atribuem a leva de autorizações a uma mudança de postura da administração Trump, que decidiu facilitar o acesso de concorrentes estrangeiros.

Para Moreira, o right to win do Itaú se deve à escala e à experiência que o banco tem no topo da pirâmide, com cerca de 30% de share nos mercado de private e alta renda no Brasil.

“Temos lugar de fala, um modelo bem estruturado que pode ser replicado nos EUA e clientes fiéis à marca não só no Brasil, mas em países onde temos presença no varejo, Chile, Uruguai e Paraguai,” disse o CEO. (Fonte: Brazil Journal)

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