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Pix Saque cresce 21%, mas ainda está longe de substituir caixas eletrônicos

Brasil ainda registrou 1,1 bilhão de saques tradicionais no segundo semestre de 2025; modalidade pelo Pix somou apenas 8,5 milhões de operações (Por Guilherme Santiago) - foto reprodução - 

O brasileiro está sacando menos dinheiro. Mas, quando precisa de notas na carteira, ainda recorre quase sempre aos canais tradicionais.

No segundo semestre de 2025, foram realizados 1,1 bilhão de saques tradicionais no país, queda de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Banco Central.

No caminho contrário, o Pix Saque cresceu 20,9% no mesmo período. A modalidade, porém, somou apenas 8,5 milhões de operações.

A diferença de escala ainda é enorme. Fazendo a conta, foram aproximadamente 129 saques pelos canais tradicionais para cada operação de Pix Saque no período. A modalidade representou menos de 1% do número registrado pelos meios convencionais.

Os números mostram que, embora o Pix tenha transformado a forma como o brasileiro transfere e paga, sua versão criada para a retirada de dinheiro físico ainda está longe de substituir caixas eletrônicos, agências e correspondentes bancários.

Saques diminuem em praticamente todos os canais
A queda do dinheiro em espécie aparece de forma disseminada nos dados do Banco Central.

Nos caixas eletrônicos, ou ATMs, o número de saques caiu 13,6% no segundo semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. Em agências e postos tradicionais, a redução foi ainda maior, de 17,9%.

Também houve recuo de 9% nos correspondentes bancários e de 27,1% nos postos de atendimento cooperativo.

O movimento acompanha uma transformação mais ampla nos pagamentos. No segundo semestre de 2025, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no país, com 42,9 bilhões de operações, alta de 24,3% em um ano.

Ou seja: para pagar e transferir dinheiro, o Pix já domina boa parte da rotina financeira dos brasileiros. Quando a operação envolve transformar saldo digital em dinheiro vivo, porém, a mudança ocorre em ritmo bem mais lento.

Por que o Pix Saque ainda é pequeno?
Criado para permitir que clientes retirem dinheiro em estabelecimentos comerciais e pontos habilitados, o Pix Saque tenta ampliar os locais de acesso a cédulas sem depender exclusivamente da estrutura bancária tradicional.

O crescimento de 20,9% indica avanço da modalidade, mas parte de uma base ainda pequena.

Mesmo que mantivesse taxas elevadas de expansão nos próximos anos, seria necessário um crescimento expressivo para se aproximar dos canais já consolidados. Hoje, o volume de saques tradicionais é mais de cem vezes superior.

Os dados revelam, portanto, dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo. O brasileiro precisa cada vez menos sacar dinheiro, mas, quando saca, continua recorrendo majoritariamente à infraestrutura tradicional.

O caixa eletrônico pode estar perdendo movimento. Por enquanto, porém, o Pix Saque ainda está muito longe de aposentá-lo. (Fonte: Exame)

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