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Mulheres são maioria do eleitorado, mas só 1 em cada 3 candidatos em 2026


Resumo
 - Mulheres são 52,8% do eleitorado, mas só 34,8% das candidaturas em 2026: 7.138 mulheres entre 20.501 nomes, segundo levantamento do UOL com dados do TSE.
 A participação feminina subiu 1 ponto ante 2022 e, em 12 anos, avançou 3,7 pontos; elas ocupam 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados.
Malu Gatto e Gabriela Rollemberg apontam cota de 30% como “teto” e retenção de verbas; mulheres são mais comuns em cargos proporcionais do que majoritários.
 - Cota de 30% virou "teto" para os partidos. A cientista política Malu Gatto explica que a obrigatoriedade de preencher o mínimo de candidaturas por gênero, em vigor desde 2009, é cumprida pelas legendas, mas raramente ultrapassada. "Se você aumentar as candidaturas femininas, será preciso diminuir o número de homens concorrendo, o que gera resistência."

Dos 20.501 candidatos registrados nestas eleições, 7.138 são mulheres. As informações foram levantadas pelo UOL a partir da base de dados eleitorais divulgada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). (Por Marina Giannini) - foto reprodução -

A proporção cresceu 3% em relação a 2022, passando de 33,8% para 34,8%. Foi uma alta de apenas um ponto percentual. Em 12 anos, a parcela de candidatas avançou apenas 3,7 pontos percentuais, de 31,1% para 34,8%.

Déficit de representatividade reflete exclusão histórica. Embora as mulheres sejam 52,8% do eleitorado, elas ocupam apenas 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados.

Também há baixa representação racial. Mulheres pretas ou pardas representam 52,3% das candidaturas femininas, mas apenas 18,2% do total de candidatos nas eleições de 2026. Ao todo, são 3.731 candidatas negras.

Arte - UOL

Votos em mulheres valem o dobro para o fundo eleitoral. Os votos recebidos por mulheres e pessoas negras para a Câmara dos Deputados são contados em dobro na distribuição dos fundos Eleitoral e Partidário entre os partidos. A regra vale para as eleições de 2022 a 2030.

Mulheres aparecem mais em cargos proporcionais do que como cabeças de chapa. A participação feminina é maior nas disputas para deputada federal (36,6%), distrital (35,5%) e estadual (34,4%). Já nos cargos majoritários, os percentuais são menores: mulheres representam apenas 15,4% das candidaturas à Presidência, 16,4% ao governo dos estados e 21,9% ao Senado.


Cota de 30% virou "teto" para os partidos. A cientista política e advogada especialista em direito eleitoral Gabriela Rollemberg, explica que o dinheiro muitas vezes não chega às mulheres ou é entregue às vésperas da eleição.

"O processo de violência política começa dentro dos partidos, com uma violência patrimonial por não dar à candidata mulher um valor mínimo viável para que ela possa concorrer de forma competitiva."
Gabriela Rollemberg, cientista política e advogada


O PL é o partido com o maior número de candidatas nestas eleições. O partido lançou 536 mulheres, 33% dos 1.624 nomes divulgados pelo partido. Em 2022, elas eram 501 e representavam 31,7% das candidaturas do PL. Gatto observa que o crescimento acompanha uma estratégia deliberada do PL Mulher para recrutar e fortalecer quadros femininos, em uma tentativa de reduzir a resistência de parte do eleitorado feminino às lideranças da direita.

Anistia enfraquece ações afirmativas. O Congresso Nacional instituiu por duas vezes um perdão a partidos que deixaram de destinar os recursos mínimos obrigatórios para mulheres e pessoas negras em anos anteriores. O STF (Supremo Tribunal Federal) validou a anistia.

Estudo aponta resistência masculina no Legislativo. A pesquisa "+Representatividade — Reformas Políticas", do Instituto Update e conduzida por Malu Gatto, indica que os avanços mais significativos nas cotas vieram do Judiciário, pois os legisladores evitam fortalecer regras que ameacem suas próprias carreiras.

Uso de candidatas "laranjas" é uma constante eleitoral. Pesquisa conduzida por Malu Gatto e Kristin Wyllie, da James Madison University, mostrou que 35% das candidatas à Câmara em 2018 tiveram menos de 320 votos. O número é indício de que parte delas foi registrada apenas para cumprir a cota de gênero, sem campanha efetiva.

Iniciativas buscam ampliar a presença feminina na política. Criado em 2020, o laboratório de inovação política Quero Você Eleita capacita candidatas e mulheres que exercem mandatos em todo o Brasil. Gabriela Rollemberg é uma das fundadoras da iniciativa, que conecta lideranças femininas e atua para promover a igualdade de gênero nos espaços de poder. (Fonte: UOL)

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