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05/08/2026

Lucro do Itaú chega a R$ 12,4 bilhões com rentabilidade de 24,3% no 2º tri

Rentabilidade do banco cresceu para 24,3% no período. Inadimplência segue estável e 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo (Por Júlia Moura)

O Itaú Unibanco teve um lucro líquido recorrente de R$ 12,407 bilhões no segundo trimestre deste ano, informou o banco nesta terça-feira (4).

O dado veio em linha com as expectativas de analistas consultados pela Bloomberg: de R$ 12,460 bilhões, na média, e de R$ 12,403 bilhões, na mediana.

O resultado é 7,8% maior que o registrado no mesmo período de 2025 e representa uma melhora de 1% ante os três meses imediatamente anteriores.

O avanço foi puxado pelo crescimento da carteira de crédito entre clientes com menos risco de calote, mantendo o índice de atrasos do banco estável pelo sexto trimestre consecutivo, mesmo em um contexto de maior inadimplência no Brasil.

O ROE (retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado), indicador de rentabilidade do banco, foi de 23,3% a 24,3% em 12 meses.

A margem financeira do banco, por sua vez, somou R$ 33,5 bilhões no período, com ganho anual de 5,2% e de 3,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Entre os fatores que contribuíram para esse aumento, o Itaú destacou uma maior receita com operações estruturadas do atacado, ou seja, em grandes operações para pessoas jurídicas.

A carteira de crédito total do banco, incluindo garantias financeiras prestadas e títulos privados, somou R$ 1,522 trilhão ao fim de junho, alta de 9,6% ante 2025 e de 2,7% em comparação com o início deste ano.

Uma das linhas de empréstimos que mais cresceu no período foi o empréstimo consignado, que teve alto 14,3% no trimestre. O crédito imobiliário, por sua vez, teve um ganho de 13,3% no ano. O cartão de crédito também pesou para a alta na carteira, com alta de 6,6%.

Em micro, pequenas e médias empresas, a carteira subiu 11,6% em 12 meses. Em grandes empresas, 10,1%. A única linha com redução ante junho de 2025 foi veículos, cujo crédito caiu 3,3%.

Já a inadimplência do banco segue estável. O índice de atrasos acima de 90 dias do Itaú ficou em 1,9%, o mesmo desde o primeiro trimestre de 2025.

Considerando apenas a operação do banco no Brasil, as linhas para pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas tiveram um aumento de 0,1 ponto percentual no índice de atrasos no trimestre, indo a 3,7% e a 2%, respectivamente. Na comparação anual, o ganho foi de 0,1 ponto percentual e 0,4 ponto percentual.

Segundo o Itaú, o maior atraso de empréstimos a empresas reflete o ciclo de normalização do indicador em função do fim das carências dos programas governamentais.

O saldo das provisões para perdas esperadas (empréstimos não pagos) somou R$ 56,9 bilhões, 0,87% menor que há um ano.

Apenas no segundo trimestre, o custo de crédito foi de R$ 10,139 bilhões, um aumento de 1,9% na comparação trimestral e de 7,4% na anual.

De acordo com o banco, o indicador —composto por despesa de perda esperada, descontos concedidos e recuperação de créditos anteriormente baixados como prejuízo— cresceu por conta de pessoas jurídicas (micro, pequenas e médias empresas) e em linha com o avanço da carteira de crédito.

Para Gabriel Amado de Moura, diretor financeiro do Itaú Unibanco, o resultado é fruto da diligência na concessão de crédito, "com uma análise criteriosa das necessidades dos clientes".

"É essa disciplina analítica, combinada ao uso intensivo de tecnologia e modelos de inteligência artificial, que garante a estabilidade dos nossos resultados em qualquer cenário econômico", completou o CFO na divulgação do balanço.

DESENROLA
Desde o fim da pandemia, o banco tem dado preferência a clientes de maior renda e com menos risco de endividamento. Dado o perfil mais resiliente desses empréstimos, o Desenrola teve pouco impacto no balanço do Itaú.

Até o fechamento do segundo trimestre, a instituição renegociou aproximadamente R$ 1,1 bilhão por meio do programa federal.

"Após a renegociação e descontos concedidos, o saldo da carteira desse programa ficou em R$ 275 milhões, sendo que mais de 300 mil clientes aderiram ao programa, com impacto imaterial tanto nos indicadores de qualidade de crédito quanto no custo do crédito", disse o banco.

REVISÃO DE PROJEÇÃO
Apesar do balanço resiliente, o banco revisou suas projeções de receita de prestação de serviços e resultado de seguros para 2026 como um todo, e agora projeta um crescimento entre 2% e 5%, de 5% a 9% esperados anteriormente.

"O ajuste na expectativa de crescimento está relacionado, principalmente, à maior volatilidade no mercado de capitais do que a projetada no início do ano. As expectativas para as demais linhas permaneceram inalteradas", disse o Itaú.

De abril a junho, as receitas com prestação de serviços e seguros aumentaram 0,4% ante os três meses anteriores e 3,6% na comparação anual, somando R$ 14,1 bilhões.

VENDA DO ITAÚ COLÔMBIA
Na última sexta (31), o Itaú informou ao mercado que concluiu a venda da operação de varejo de sua subsidiária Itaú Colômbia e da operação no Panamá para o Banco Bogotá por aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

No setor bancário, o varejo é formado por clientes pessoas físicas e pequenas empresas.

A operação engloba R$ 9,7 bilhões em carteira de crédito e R$ 7,2 bilhões em depósitos.

A transação havia sido anunciada em dezembro de 2025 e recebeu autorização da autoridade financeira colombiana em junho deste ano. Segundo o banco, a transferência foi concluída em 31 de julho, após o cumprimento de todas as condições necessárias.

Como consequência da venda, o Itaú Colômbia registrou um impacto negativo de cerca de 505 bilhões de pesos colombianos no resultado de julho, principalmente por custos de reestruturação e encerramento de operações financeiras.

O banco estima ainda reconhecer outros 56,7 bilhões de pesos em despesas extraordinárias até o fim de 2026. Um aumento de capital de 240 bilhões de pesos, realizado em julho, deve fortalecer a atuação do banco no segmento de grandes empresas, diz a instituição financeira.

O Itaú afirmou que a Colômbia continua sendo um mercado estratégico e que, após deixar o varejo, concentrará sua atuação no país em serviços para grandes empresas, tesouraria e em suas demais subsidiárias locais.

RAIO-X | ITAÚ UNIBANCO NO 2º TRI DE 2026
Fundação: 2008, ano de fusão do Banco Itaú e do Unibanco
Lucro líquido: R$ 12,4 bilhões
Clientes: 70 milhões
Agências: 1.663
Funcionários: 90,4 mil
Principais concorrentes: Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Nubank (Fonte: Folha de SP)

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