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17/07/2026

Itaú Private dá início no Uruguai a expansão pela América Latina

Chile e Paraguai estão nos planos da divisão, até agora com escritórios em Zurique e Miami (Por Liane Thedim) - foto Paulinho Costa feebpr -

O Itaú Private Bank dá em agosto um importante passo em sua estratégia de reposicionamento e inicia operação no Uruguai, sua primeira representação local - até então, a divisão do banco mantinha somente escritórios centrais em Zurique e Miami, além do Brasil. Na nova unidade, a ideia é atender clientes com investimentos a partir de US$ 2 milhões.

A tese é de presença regional e alcance global. “Estamos nos guiando pela demanda dos clientes, e o Uruguai é uma localização muito importante para estarmos neste momento”, afirma Fernando Beyruti, diretor global do Itaú Private, em entrevista ao Valor. Segundo ele, já há conversas em andamento com Chile e Paraguai. “Nossa intenção é até o fim do ano estar operando nesses três países no novo modelo de private banking global.”

Para o executivo, esse atendimento fisicamente mais próximo vai significar “o grande salto da diferença”. No Uruguai, a fatia de mercado do Itaú é de 30%, quase a mesma do Brasil, que é de 31%. Se olharmos só os cartões de crédito, essa participação cresce para 51%. Em ativos sob gestão, o banco teve crescimento de 30% em 2025, para US$ 6 bilhões, de acordo com Agustín Tafernaberry, CEO do Itaú Uruguai.

“Acredito que o Uruguai vai se tornar a nossa maior regional nos próximos dois anos”, prevê Beyruti. Ele dá como exemplo de operação que se torna mais fácil agora o “cross-border lending”, empréstimo em que uma instituição financeira ou investidor sediado em um país concede crédito a um tomador localizado em outro. “Se o cliente quiser usar uma garantia no Brasil para uma transação no Uruguai ou vice-versa, podemos fazer.”

No Uruguai, a equipe local dedicada será composta por um gerente de banking, um private banker e especialistas em investimentos e planejamento de fortunas. Tafernaberry elenca as vantagens do país: “Estamos bem localizados na região, temos estabilidade política e social e liberdade de capital”. O Uruguai não é mais considerado paraíso fiscal pela OCDE, mas oferece incentivos, como isenção por 11 anos de impostos para novos residentes sobre a renda no exterior, e não taxa grandes fortunas nem heranças.

¨Acredito que o Uruguai vai se tornar a nossa maior regional nos próximos dois anos¨
— Fernando Beyruti

Segundo Beyruti, a virada do cenário macroeconômico em 2026, que começou com perspectiva de redução relevante de juros até o fim do ano e mudou após a guerra no Irã, não chegou a atrapalhar os planos do banco por serem de longo prazo. “Pode atrasar um pouquinho algumas coisas. A gente vê algumas mais rápidas, outras mais devagar, mas elas estão acontecendo”, comenta o executivo.

A reformulação do private, recorda, aconteceu com base na percepção de que as famílias atualmente têm uma dinâmica diferente. O atendimento passou a ter um olhar holístico em relação ao cliente, e não mais sobre os investimentos apenas, e a área de planejamento de patrimônio se transformou em “life planning”.

“Claramente as demandas mudaram, e os clientes estão pedindo serviços que não pediam no passado. E estamos indo na direção de nos adaptar a isso.” O público-alvo também foi ampliado e o mínimo caiu de R$ 15 milhões a R$ 10 milhões. Com o conjunto de mudanças, a captação acelerou e o total de ativos sob gestão e administração superou R$ 1 trilhão no fim de 2025, dois anos antes do previsto, sendo 70% no mercado doméstico e 30% no exterior.

A história se repetiu neste ano e, no segmento de entrada, ou seja, na faixa entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões, a meta de R$ 50 bilhões, esperada para o fim deste ano, foi atingida em julho. Beyruti diz que esperava uma redução no ritmo de crescimento neste ano, já que a taxação dos fundos fechados exclusivos em 2024 tinha acelerado as movimentações no ano passado. “A gente imaginava que ia dar uma acalmada, mas os números continuam fortes.”

O diretor do Itaú private afirma que outro indicador positivo tem sido a concentração de recursos de cada cliente no banco, ou seja, o que o investidor vai retirando de outras instituições e levando para lá. “Claramente, de 20% a 25% do volume que ele nos traz estão vindo de fora.” (Fonte: Valor Econômico)

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